Biologia 12º
Como produzir uma maior quantidade de alimentos
- Diogo Gonçalves e Diogo Martins 12ºB
Introdução ao tema
- Diogo Gonçalves e Diogo Martins 12ºB
Introdução ao tema
Em 2050 a população mundial irá atingir mais de 9 bilhões de pessoas segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). A urbanização irá continuar a crescer de forma acelerada, o aumento do salário por indivíduo irá alterar as exigências e preferências alimentares, passando a incluir mais variedade e qualidade na dieta da população. Para que se possa atender essa crescente e mais exigente demanda, é preciso aumentar a produção de alimentos em 70% (FAO).
Os avanços da ciência e tecnologia contribuíram significativamente na produção de alimentos no mundo. A capacidade produtiva na agricultura cresceu entre 2,5 e 3 vezes nos últimos 50 anos. Isto permitiu, em um âmbito global, que o aumento na produção de alimentos acompanhasse o aumento populacional. Além do aumento da demanda, a produção de alimentos enfrenta outros desafios que tornam o contexto ainda mais complexo, como: as mudanças climáticas, que interferem na capacidade produtiva; e restrição de recursos naturais, como a água e o solo.
O papel da inovação passa a ser essencial para garantir que as próximas gerações possam ser alimentadas, com qualidade. Para isso, é preciso que ocorra uma transformação na forma como produzimos alimento. Não basta aumentar a produtividade, é preciso utilizar uma abordagem mais abrangente, que envolva produção e consumo sustentável, de forma a garantir a segurança alimentar para as futuras gerações.
A inovação, no contexto da história da humanidade, permitiu que outros desafios fossem superados pelo homem e a espécie fosse preservada. Não é diferente no que se refere a necessidade existente no contexto de segurança alimentar para as próximas décadas. A inovação e a tecnologia são elementos essenciais para o surgimento de soluções, que otimizem as atividades da cadeia produtiva de alimentos. Isto inclui a convergência de diversos setores da economia e áreas de estudo como biotecnologia, genética, eletrónica, tecnologia da informação, química , entre outras áreas, para que possamos continuar alimentando as gerações futuras.
Conceito de alimento trangénico
Alimentos transgénicos ou alimentos geneticamente modificados, são alimentos produzidos com base em organismos que, através das técnicas da engenharia genética, sofreram alterações específicas no DNA. Essa técnica tem permitido a introdução de culturas agrícolas de traços diferenciados, assim como um controlo sobre a estrutura genética bastante superior em relação ao que proporciona a mutação artificial e a seleção artificial.
Processo de alteração do material genético
Transgénese é o processo de alteração do material genético de uma espécie pela introdução de uma ou mais sequências de genes provenientes de outra espécie, mediante a utilização de técnicas de engenharia genética. O genoma dos organismos transgénicos contém fragmentos do genoma de bactérias, vírus ou outros organismos em seu DNA. Os genes introduzidos não pertenciam ao genoma original da espécie modificada e vão conferir-lhe novas características. Resultados na área de transgénese já são alcançados desde a década de 1970, quando foi desenvolvida a técnica do DNA recombinante. A manipulação genética combina características de um ou mais organismos de uma forma que provavelmente não aconteceria na natureza. Assim podem ser combinados os DNAs de organismos que não se cruzariam por métodos naturais.
Como se preparam os transgénicos? Como se processa a Transgénese?
A forma pela qual as plantas transgénicas podem ser criadas implica a participação do ADN, o ácido desoxirribonucleico, presente no organismo de todos os seres vivos. Esta molécula armazena a informação genética do organismo e comanda o seu metabolismo. A informação genética está expressa na sequência das quatro bases químicas – a adenina, a citosina, a guanina e a timina – presentes na molécula de ADN.
Uma vez localizado, isolado e clonado, o gene escolhido pelo cientista deve passar por várias modificações antes de ser introduzido.
Primeiro deve ser acrescentada ao gene uma sequência promotora para que a característica desejada seja manifestada corretamente. Essa sequência funciona como um interruptor, controlando o local e o momento da vida do organismo em que o gene se expressará.
De seguida, mas não em todas as ocasiões o gene clonado é modificado para reforçar a expressão da característica desejada nesse organismo. No caso do milho, o gene originário da bactéria que a aumenta a resistência a pragas é manipulado, de forma a que o seu efeito seja mais visível.
Finalmente é acrescentado um gene marcador para identificar células ou tecidos da planta que tenha integrado bem o transgene. Este procedimento é necessário por causa do baixo índice de sucesso na inserção e expressão dos transgenes nas células vegetais.
Vantagens dos alimentos geneticamente modificados
- Aumento da produtividade das colheitas de alimentos;
- Desenvolvimento de alimentos terapêuticos;
- Maior resistência e durabilidade no armazenamento.
- Redução do uso de produtos agrícolas tóxicos como os adubos químicos e pesticidas,
- Alta resistência a pragas;
- Tolerância a climas adversos;
- Aumento do valor nutricional dos alimentos;
Desvantagens no consumo de alimentos geneticamente modificados
Atualmente existe um debate intenso relacionado à inserção de alimentos geneticamente modificados no mercado. Alguns países, como o Japão, rejeitam fortemente a entrada desses alimentos, enquanto que outros países asiáticos, norte e sul-americanos permitem a sua comercialização. Várias organizações científicas e estudos independentes referem que os alimentos transgénicos não oferecem riscos para a saúde maiores que os alimentos tradicionais. Porém, há estudos que demonstram variados efeitos negativos para a saúde não só humana (mas também para o resto dos seres vivos que ingiram esses alimentos), para a economia, para a biodiversidade e para a justiça social. Assim:
- Possível aumento das reações alérgicas;
- As plantas que não sofreram modificação genética podem ser eliminadas pelo processo de seleção natural, pois a transgénicas apresentam maior resistência às pragas e pesticidas;
- Aumento da resistência aos pesticidas, com consequente aumento do consumo deste tipo de produto;
- Apesar de eliminar pragas prejudiciais à plantação, o cultivo de plantas transgénicas pode, também, matar espécies benéficas ao equilíbrio ecológico como abelhas, minhocas e outros animais e plantas.
- Riscos para a saúde*
Os estudos com pessoas ainda são poucos, mas vários testes laboratoriais já foram realizados com animais, além de observações de campo, relatando diversos distúrbios relacionados à alimentação com produtos transgénicos, entre eles alergias, infertilidade, alterações no sistema imunológico, desenvolvimento de tumores e taxas de mortalidade mais altas que o normal.
*Estudo: Ratos alimentados com alimentos transgénicos sofrem de cancro com mais frequência e morrem antes que os restantes, destaca um estudo publicado pela revista "Food and Chemical Toxicology", que considera os resultados "alarmantes".
"Observamos uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com organismos geneticamente modificados (OGM). Nos dois sexos, há entre duas e três vezes mais tumores", explicou à AFP Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, na França, que coordenou o trabalho.
Para fazer a pesquisa, 200 ratos foram alimentados por até dois anos, de três maneiras diferentes: apenas com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais usado do mundo) e com milho não transgénico tratado com Roundup. Os dois produtos (o milho NK603 e o herbicida) são propriedade do grupo americano Monsanto. Durante o estudo, o milho integrava uma dieta equilibrada, em proporções equivalentes ao regime alimentar observado nos Estados Unidos.
"Os resultados revelam uma mortalidade muito mais rápida e importante durante o consumo dos dois produtos", afirmou Seralini, cientista que tem integrado comissões oficiais sobre os alimentos transgénicos em 30 países.
"O primeiro rato macho alimentado com OGM morreu um ano antes do indicador (animal que não comeu OGM). A primeira fêmea morreu oito meses antes. No 17º mês, foram observados cinco vezes mais machos mortos alimentados com 11% de milho (OGM)", comparou o cientista.
Os tumores apareceram na pele e nos rins de machos alimentados com transgénicos até 600 dias antes que nos roedores indicadores. No caso das fêmeas, que tiveram tumores nas glândulas mamárias, a doença apareceu em média 94 dias antes naquelas que receberam OGM.
"Pela primeira vez no mundo, um OGM e um pesticida foram estudados por seu impacto na saúde a mais longo prazo que as agências de saúde, os governos e as indústrias haviam feito até agora", disse o coordenador da pesquisa.
Posição política dos países em relação à introdução dos produtos trangénicos
Desde 2004 a União Europeia autorizou a importação de produtos transgénicos. No dia 2 de março de 2010, a União Europeia aprovou o plantio de batata e milho transgénicos no continente, após solicitações dos Estados Unidos. A batata transgénica será destinada para a fabricação de papel, adesivos e têxteis. O milho atenderá a indústria alimentar.Em 2012 a Comissão Europeia aprovou mais 11 cultivos modificados. O que não significa que eles são adotados obrigatoriamente em todos os países europeus. A Áustria, a França, a Alemanha, a Hungria, o Luxemburgo, a Grécia, a Bulgária, a Suíça e a Polónia já fizeram diversas restrições e em sua maioria baniram este tipo de alimentos do seu território.
É estimado que a área de cultivo deste tipo de variedades esteja com uma taxa de crescimento de 13% ao ano. A área total plantada é já superior a 100 milhões de hectares, sendo os principais produtores os Estados Unidos, o Canadá, o Brasil, a Argentina, a China e a Índia. As principais culturas são as de milho, soja e algodão.
Nota: É necessário também diferenciar alimentos transgénicos de alimentos geneticamente selecionados, pois estes não foram parte de uma troca de genes com outra espécie, mas sim, a seleção de indivíduos com características favoráveis e sua reprodução em um meio artificialmente isolado.
Conclusão
Em jeito de conclusão, este trabalho de pesquisa foi extremamente enriquecedor, aprofundamos os nossos conhecimentos não só em relação aos diversos métodos que existem para aumentar a produção de alimentos mas também em relação aos produtos trangénicos, com certeza iremos tomar melhores decisões no que toca por exemplo à nossa alimentação.




Comentários
Enviar um comentário